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domingo, 14 de abril de 2013

CORÉIA DO SUL E DO NORTE - O que há entre dois países?


Mais de cinqüenta anos já se passaram desde o cessar-fogo entre a Coréia do Norte e a Coréia do Sul. Mas, para quem vive na fronteira entre os dois países, o tempo parece não ter passado. Todos os dias militares armados até os dentes perambulam de um lado para outro. A missão da soldadesca é patrulhar a chamada “zona desmilitarizada”, a disputada terra de ninguém que divide o território coreano no paralelo 38. A vigília ininterrupta tem explicação. Tecnicamente, a guerra da Coréia não terminou: o armistício foi assinado em 27 de julho de 1953. Só que não houve um acordo formal de paz. Até hoje, a faixa que corta a península ao meio é cercada por barreiras de arame farpado. De um lado, mais de um milhão de soldados norte-coreanos protegem seu pedaço. A outra porção conta com 660 mil combatentes sul-coreanos e 37 mil americanos. Todos de prontidão 24 horas por dia. Ironicamente, a “zona desmilitarizada” é a mais militarizada do mundo.

Pela faixa de terra de 4 quilômetros de largura já marcharam tropas do norte e do sul, ambas interessadas em construir uma única Coréia. A diferença é que o norte sonha com uma península comunista. E o sul, com uma democracia capitalista. A luta pela unificação do país começou às 4 horas da manhã do dia 25 de junho de 1950, em um ataque-surpresa do Exército Popular da Coréia do Norte. Uma imensa força invasora de 135 mil homens, com apoio material da União Soviética, atravessou o paralelo 38 em direção à capital sul-coreana. O resultado foi arrasador. Como se não bastasse estar em desvantagem militar – com menos homens e equipamentos –, metade dos soldados sulistas havia deixado seus postos na fronteira para passar o final de semana com a família.
Na manhã daquele mesmo dia, o líder norte-coreano, Kim Il-sung, o mais longevo ditador da história, justificou o ataque em discurso à rádio oficial de Pyongyang. Em mensagem endereçada ao povo da Coréia do Sul, disse que a invasão era uma resposta à “investida injusta” feita pelas forças armadas da República da Coréia. Na verdade, a ofensiva tinha sido motivada por outra razão: o esperado apoio da União Soviética. Há alguns anos, o ditador vinha tentando convencer o aliado comunista a dar o sinal verde para a investida contra a porção sul da península. O jornalista e professor de Relações Internacionais da Universidade John Hopkins, Don Oberdorfer, revela em seu livro The Two Koreas (“As Duas Coréias”, inédito no Brasil) que, em diversas circunstâncias nos anos de 1949 e 1950, Kim implorou a Joseph Stalin e seus diplomatas que autorizassem a invasão. Em uma das ocasiões, disse a uma autoridade soviética: “Ultimamente, não tenho dormido à noite, pensando em como resolver a questão da unificação de todo o país. Se a questão da libertação do povo da porção sul da Coréia e da unificação da nação for prolongada, posso perder a confiança do povo.”

Conquista de Seul
Nas semanas que se seguiram ao ataque, Kim teve motivos de sobra para não pregar o olho. Rapidamente, as forças comunistas rumaram em direção a Seul. “Nossa corporação tinha uma ordem de ocupar a parte leste de Seul e completar sua missão em 48 horas”, conta o general Choe Lin, chefe da 2ª Corporação. Essa era tarefa fácil para os tanques T-34 de fabricação soviética, que nem se abalavam com os tiros de artilharia de 57 mm ou foguetes de 2,36 polegadas, as principais armas contra blindados das forças inimigas. Os carros de combate entraram nos arredores da capital sul-coreana à 1 hora da madrugada de 28 de junho. E às 2h15, Seul caiu. Em pouco tempo, os soldados do norte tomaram controle de quase toda a península, deixando os defensores encurralados em um pequeno canto do sudeste do país, conhecido como o “perímetro de Pusan”.
Foi somente após a queda de Seul que os Estados Unidos perceberam o real perigo do avanço comunista na península coreana. Até então, a Coréia do Sul não era uma prioridade para a política externa americana, que considerava o país uma área auxiliar para a segurança e defesa do Japão. Em 1949, por exemplo, retiraram suas forças de ocupação da metade capitalista, deixando apenas um pequeno número de assessores militares. A medida podia parecer drástica, mas, afinal, a União Soviética também havia retirado suas tropas da península. A diferença foi que os soviéticos tiveram a precaução de fazer isso só depois do estabelecimento de um exército bem equipado e treinado no norte. O ataque de Kim, no entanto, despertou os americanos. Na tarde de 25 de junho, o presidente Harry Truman reuniu-se com seus principais conselheiros. Eles foram unânimes em reconhecer a gravidade da situação e concordaram com o general Omar Bradley, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. Na opinião do general, a Rússia “ainda não está preparada para a guerra, mas obviamente os russos estão nos testando na Coréia, e a linha deve ser traçada agora”. A Guerra Fria começou a esquentar.

Guerra Fria
O presidente americano determinou o envio de armas para o exército sul-coreano. E também autorizou o general Douglas MacArthur a dar proteção militar para a entrega do material, assim como para a evacuação dos americanos da região. No dia 29 de junho, Truman decidiu também enviar ao país duas divisões de soldados americanos que estavam no Japão. Afinal, a situação estava cada vez mais quente naquelas bandas. O ditador Kim Il-sung havia deixado claro: não aceitaria a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, adotada em 25 de junho por 9 a 0, com a abstenção da Iugoslávia, que exigia que a Coréia do Norte retirasse suas tropas o mais rápido possível do solo sul-coreano. “A guerra da Coréia estabeleceu a Guerra Fria e fez com que a península coreana se tornasse o centro da atenção global”, avalia Oberdorfer.
O clima esquentou ainda mais quando o Ocidente decidiu se unir para conter o avanço comunista. Dois dias depois do pronunciamento do líder norte-coreano, as Nações Unidas solicitaram aos países membros ajuda para a Coréia do Sul. No total, além dos Estados Unidos, 15 países enviaram cerca de 300 mil soldados para a região. O contra-ataque teve início em 15 de setembro, quando o general MacArthur desembarcou suas tropas na cidade portuária de Inchon, na porção oeste da península. Era uma manobra arriscada: os soldados precisavam vencer as marés imprevisíveis de um porto rochoso e escalar paredões de quase 6 metros para então enfrentar uma ilha fortificada e uma cidade ocupada por forças norte-coreanas. Mas, contrariando todas as previsões pessimistas, o general americano liderou uma jogada de mestre. Após um bombardeio preparatório, dois batalhões entraram em Inchon, batendo a resistência com poucas baixas. Ao mesmo tempo, os americanos romperam o cerco a Pusan e iniciaram uma investida em direção ao norte. Os comunistas entraram em pânico e bateram em retirada. E o que era imaginável aconteceu: os ocidentais recapturaram Seul.
O general MacArthur poderia ter parado no paralelo 38, já que a Coréia do Sul estava livre. Mas agora os Estados Unidos tinham outros planos: queriam unificar a Coréia sob um único governo pró-ocidente. MacArthur também acreditava que aquele era um momento favorável para um golpe decisivo contra o comunismo. Em 30 de setembro, ele mandou um recado para Kim Il-sung: os comunistas deveriam depor as armas e se render. O supremo comandante do Exército Popular ignorou o ultimato do general americano e, imediatamente, o exército das Nações Unidas atravessou o paralelo 38. Em sua marcha para o norte, deram o troco e tomaram a capital do norte, Pyongyang, em 20 de outubro.

A China entra na briga
A ousadia do Ocidente teve um preço alto: a entrada da China no conflito. Pequim já havia sinalizado que não toleraria a aproximação das tropas lideradas por MacArthur do território chinês. Alguns dias depois que os soldados das Nações Unidas cruzaram o paralelo 38, centenas de milhares de chineses invadiram a península coreana pela Manchúria. “Todo o povo chinês decidiu, voluntariamente, dedicar-se ao dever sagrado de resistir à América, ajudando a Coréia do Norte e defendendo seus lares e suas terras”, declarou o líder chinês Mao Tsé-tung, em novembro. A guerra tomava novos rumos. Sob o comando do célebre líder guerrilheiro Lin Piao, os chineses reconquistaram a capital do norte em 4 de dezembro. A massa de soldados também fez com que as tropas das Nações Unidas batessem em retirada desordenada. E, em 4 de janeiro de 1951, Seul foi novamente capturada pelos comunistas. Abalado, o general MacArthur avisou Washington. “Estamos enfrentando uma guerra completamente nova”, declarou. Para ele, medidas mais duras precisavam ser tomadas.
Por pouco o mundo não assistiu à Terceira Guerra Mundial. “Pesquisas recentes revelam que o presidente Truman esteve muito perto de utilizar bombas atômicas contra cidades norte-coreanas e chinesas em abril de 1951. Mas ainda sabemos muito pouco sobre esse grande segredo”, revela o professor da Universidade de Chicago, Bruce Cumings, especialista em História da Coréia. A eclosão de um conflito total só foi evitada graças à moderação de Stalin durante a refrega, segundo o especialista. “Diria que a cautela de Stalin foi mais importante que qualquer outra coisa para impedir a Terceira Guerra. Cinicamente, ele se distanciou de Kim Il-sung após a ocupação americana da Coréia do Norte e estava feliz em ver os americanos entrarem em guerra com a China”, avalia Cumings. “Stalin não queria que a guerra assumisse proporções globais. Ele sabia que perderia a um preço terrível, já que os Estados Unidos tinham pelo menos 350 bombas atômicas e a União Soviética, cerca de 25”, acrescenta.
Em 1951, os líderes chegaram à conclusão de que a guerra havia ido longe demais. Ambos os lados viram-se diante de um estado de impasse, com a recuperação do exército das Nações Unidas que, em 30 de abril, avançou a linha de frente para os arredores do paralelo 38. Assim como no início do conflito, os inimigos se defrontavam na faixa de terra que divide as duas Coréias. Foi então que o presidente americano anunciou que as Nações Unidas estavam dispostas a assinar um cessar-fogo. Mas, antes de levar a cabo sua estratégia, teve de enfrentar um “adversário” muito próximo: o ambicioso general MacArthur. Ele defendia um ataque direto à China e pronunciou aos quatro ventos sua opinião. Foi a gota d’água. O presidente exonerou MacArthur por insubordinação em abril e as negociações de paz tiveram início em 10 de julho.
As conversações se arrastaram por dois anos, com intermináveis discussões sobre questões como a repatriação de prisioneiros e o posicionamento da linha de armistício. A morte de Stalin, em março de 1953, acelerou o processo. E, em 27 de julho de 1953, o armistício acabou, enfim, assinado, com o estabelecimento da fronteira no paralelo 38 e a criação da Zona Desmilitarizada – mais conhecida pela sigla em inglês DMZ. Com o armistício, a sombra de uma guerra mundial se dissipou. Mas a península coreana estava devastada. Embora os números sejam incertos, estimativas indicam que, em três anos de conflito, as tropas comunistas sofreram baixas de 900 mil chineses e 520 mil norte-coreanos. Do lado inimigo, mais de 130 mil soldados sul-coreanos e 54 mil combatentes americanos morreram durante a guerra. O embate deixou marcas profundas nas duas Coréias. 

Fim do bloco soviético
Com o fim da década de 80 e o fim da União Soviética, a perda do auxílio fornecido pelos soviéticos foi um duro golpe contra a Coreia do Norte. Além disso, quando a China reconheceu a Coreia do Sul em 1992, a Coreia do Norte se sentiu traída e cada vez mais isolada. "Sua economia estava em queda livre desde o colapso do bloco soviético'', afirma o escritor e especialista em Coreia do Norte Paul French. "A economia ia mal, a indústria foi reduzida à metade. Os mercados do bloco do Leste sumiram. A agricultura norte-coreana ruiu, e o país enfrentou fome em meados da década de 90", diz French. O programa nuclear do país, que teve início na década de 60, segundo o ex-embaixador John Everard, se tornou cada vez mais importante. "À medida que o ambiente internacional se voltou contra a Coreia do Norte, seus líderes começaram a encarar o programa nuclear como garantia de sua existência como um Estado independente''.

O trunfo nuclear
O ''Grande Líder'' Kim Il-sung, seguido pelo seu filho, o "Querido Líder" Kim Jong-il e agora seu neto e "Líder Supremo" Kim Jong-un contaram todos com um importante trunfo - a grande moeda de troca nuclear'', afirma French. Mas o programa nuclear da Coreia do Norte se tornou a principal fonte de tensão com o Ocidente, e os Estados Unidos e a Coreia do Norte chegaram à beira de um conflito inúmeras vezes. Um exemplo foi em 1994, durante o governo do presidente americano Bill Clinton, quando Pyongyang seguia violando acordos internacionais sobre inspeções de suas instalações nucleares. Em 2002, as tensões com a Coreia do Norte ressurgiram quando o governo do país expulsou inspetores nucleares em meio a temores de que o país estava desenvolvendo, em segredo, armas nucleares. ''A Guerra da Coreia ainda não terminou por completo. As velhas inimizades permanecem, ao menos aos olhos de Pyongyang'', afirma Paul French. "Seul seguiu adiante e se tornou uma próspera democracia. O Norte se manteve como que numa redoma desde os anos 1950, se colocando em uma narrativa histórica como vítima e apenas agora com uma capacidade nuclear que exige a atenção de todos.''


Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/coreia-guerra-inacabada-433995.shtml 
http://www.bbc.co.uk/portuguese/celular/noticias/2013/04/130410_coreia_guerra_permanente_bg.shtml
Imagens: mafarricovermelho.blogspot.com - telecastdehistoria.blogspot.com - www.jlnews.com.br - dinizk9.blogspot.com



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Os irmãos Lumiere



Auguste Marie Louis Nicholas Lumière (Besançon, 19 de outubro de 1862 — Lyon, 10 de abril de 1954) e Louis Jean Lumière (Besançon, 5 de outubro de 1864 — Bandol, 6 de junho de 1948), os irmãos Lumière, foram os inventores do cinematógrafo (cinématographe), sendo frequentemente referidos como os pais do cinema. 

Louis e Auguste eram filhos e colaboradores do industrial Antoine Lumière, fotógrafo e fabricante de películas fotográficas, proprietário da Fábrica Lumière (Usine Lumière), instalada na cidade francesa de Lyon. Antoine reformou-se em 1892, deixando a fábrica entregue aos filhos.
O cinematógrafo era uma máquina de filmar e projetor de cinema, invento que lhes tem sido atribuído mas que na verdade foi inventado por Léon Bouly, em 1892, que tivera perdido a patente, de novo registada pelos Lumière a 13 de Fevereiro de 1895.
São considerados os inventores da Sétima Arte junto com Georges Méliès, também francês, este é visto como o pai do cinema de ficção. Louis e Auguste eram ambos engenheiros. Auguste ocupava-se da gerência da fábrica, fundada pelo pai. Dedicar-se-iam à actividade cinematográfica produzindo alguns documentários curtos, destinados à promoção do invento, embora acreditassem que o cinematógrafo fosse apenas um instrumento científico sem futuro comercial. Casaram-se com duas irmãs e moravam todos na mesma mansão.

A primeira projecção pública de apresentação do invento ocorreu a 28 de Dezembro de 1895 na primeira sala de cinema do mundo, o Eden, que ainda existe, situado em La Ciotat, no sudeste da França (veja essa matéria na pág - "O primeiro filme da história do cinema"). Contudo, a verdadeira divulgação do cinematógrafo, com boa publicidade e entradas pagas, teve lugar em Paris, no Grand Café, situado no Boulevard des Capucines. O programa incluía dez filmes. A sessão foi inaugurada com a projecção de La Sortie de l'usine Lumière à Lyon (A Saída da Fábrica Lumière em Lyon). Méliès esteve presente e interessou-se logo pela exploração do aparelho.
Os irmãos Lumière fizeram uma digressão com o cinematógrafo, em 1896, visitando Bombaim, Londres e Nova Iorque. As imagens em movimento tiveram uma forte influência na cultura popular da época: L'Arrivée d'un train en gare de la Ciotat (Chegada de um Comboio à Estação da Ciotat), filmes de actualidades, Le Déjeuner de Bébé (O Almoço do Bebé) e outros, incluindo alguns dos primeiros esboços cómicos, como L'Arroseur arrosé (O "Regador" Regado).

Os irmãos Lumière desenvolveram também o primeiro processo de fotografia colorida, o autocromo (‘’autochrome’’), a placa fotográfica seca, em 1896, a fotografia em relevo (1920), o cinema em relevo (1935), a chamada ‘’Cruz de Malta’’, um sistema que permite que uma bobine de filme desfile por intermitência.Louis assumiu claramente a sua ideologia política mostrando ser um admirador de Benito Mussolini, a quem enviou, a 22 de Março de 1935, uma fotografia sua com uma dedicatória em que referia «a expressão da minha mais profunda admiração».

Num catálogo do Grupo de Universitários Fascistas, invoca a França e a Itália exaltando a «amizade que une ambos os nossos países e que uma comunidade de origem não pode deixar de projectar no futuro».
No que toca o estado das coisas no seu país, declara o seguinte, no Petit Comtois, a 15 de Novembro de 1940: «Seria um grave erro recusar o regime de colaboração de que falou o Marechal Pétain nas suas admiráveis mensagens. Auguste Lumière, o meu irmão, nas páginas em que exalta o prestígio incomparável, a coragem indomável, o ardor juvenil do Marechal Pétain e o seu sentido das realidades que devem salvar a pátria, escreveu: "Para que a era tão desejada de concórdia europeia sobrevenha, é evidentemente preciso que as condições impostas pelo vencedor não deixem nenhum fermento de hostilidade irredutível contra si. Mas ninguém poderá alcançar esse objectivo melhor que o nosso admirável Chefe de Estado, auxiliado por Pierre Laval, que tantas provas nos deu já da sua clarividência, da sua habilidade e da sua devoção aos verdadeiros interesses do país". Vejo as coisas da mesma maneira. Faço minha esta declaração, inteiramente».

Fonte e Imagens: http://pt.wikipedia.org/wiki/Auguste_e_Louis_Lumi%C3%A8re
Celio Herba Life: celioherbalif@hotmail.com

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A Proclamação da República... Muda os poderes, mas não muda as curiosidades...



Antecedentes

E viva a Republica! E os pasteizinhos da dona Lola!!!

De certa forma a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889 foi a nossa Revolução Francesa que tardou cem anos a chegar. Foi com a República que implantou-se o Federalismo, o sistema Presidencialista, a independência dos Poderes, bem como a separação do Estada da Igreja. Terminou-se com a hierarquia baseada no nascimento e na tradição de família substituindo-a pela forma republicana e democrática baseada no talento pessoal e no mérito. Ela foi obra de militares e de um escasso grupo de civis do Partido Republicano, fundado em 1873.

Os militares a crise do Império

O Império havia sempre dado preferência pela Marinha de Guerra, arma aristocrática. Foi a longa e dolorosa Guerra do Paraguai, travada entre 1865 e 1870, que terminou por projetar o exército Brasileiro como força política. ao ter que armas e adestrar milhares de soldados e oficiais o Império terminou inclinando o peso da balança do poder para os soldados. Também foi fator marcante da atitude cada vez mais republicana por parte da oficialidade o seu contato com os militares da Argentina e do Uruguai durante a guerra paraguaia. Até 1889 o brasil era o único Império existente na América inteira. Todas as demais nações vizinhas eram Republicanas. É claro que a guerra serviu para atiçar o ardor nacionalista das tropas o que levou a oficialidade a hostilizar cada vez mais o Conde D'Eu, de origem francesa, o marido da Princesa Isabel e provável sucessor de fato do velho Imperador D. Pedro II. Tamanho passou a ser o receio de que o exército desse um golpe depois de sua vitória contra o Paraguai que as autoridades imperiais resolveram cancelar a marcha da vitória que seria realizada pelas tropas vindas da guerra recém finda. Vários militares converteram-se não apenas ao republicanismo como também ao abolicionismo. Entre eles destacou-se o coronel Sena Madureira que publicamente parabenizou os jangadeiros cearenses quando aqueles negaram-se a transportar escravos em suas embarcações apressando a abolição da escravatura no Ceará. Sena Madureira foi repreendido pelo Ministro Civil que o puniu. Foi que bastou para que vários oficiais se tornassem solidários com Sena Madureira, entre outros o Marechal Deodoro da Fonseca.

Os militares e a abolição

Marechal Deodoro da Fonseca
_Terei errado???
Entremente o movimento abolicionista estimulava tanto no Rio de Janeiro como em São Paulo as fugas em massa dos escravos. As matas do vale do Parnaíba estavam repletas de fugitivos. Seu número chegou a tal expressão que as autoridades imperiais cogitaram de utilizar-se do Exército para recapturá-los. Foi então que o Marechal Deodoro da Fonseca enviou-lhes um telegrama negando-se a transformar seus soldados e oficiais em "capitães do mato". A um Exército que recém vinha de uma guerra vitoriosa repugnava ser lançado em indignas operações policiais. Desta forma eles se colocavam objetivamente a favor da abolição o que ocorreu logo em seguida.

Os republicanos

Os dois maiores partidos brasileiros eram monarquistas: o Partido Liberal e o Partido Conservador. Desde o governo de conciliação de 1853 eles se alternavam no poder sem grandes litígios. Na prática o Brasil era um país com governo extremamente centralizado apesar da aparência parlamentarista. Inspirados então pela proclamação da 3ª República francesa, políticos paulistas resolveram primeiro lançar um Manifesto Republicano em 1870 e depois formalizaram a fundação de um partido três anos depois, em 1873. Quando a República foi proclamada pelos militares em 15 de novembro, os civis republicanos eram uma escassa minoria espalhada pelo país. Na verdade eram ilhas minúsculas cercadas pelos partidários da monarquia por todos os lados. Mas os esforçados e coesos republicanos exploraram bem os constantes atritos que o exército passou a ter com os governos imperiais. Dado a sua pouca representatividade eles perceberam que dificilmente a monarquia seria destituída sem o socorro das armas do Exército. Assim a imprensa republicana passou a vigiar cada manifestação dos oficiais bem como colocou suas páginas para que eles dessem vazão a sua insatisfação. Aqui no Rio Grande do sul o jornal republicano "A Federação" dirigido por Júlio de Castilhos não media esforços para abrir mais e mais as brechas abertas entre os oficiais e o Imperador. Inclusive foi num sítio de propriedade de Júlio de Castilhos onde, vários meses antes da proclamação republicana, adotou-se a tática de estimular os militares ao golpe.



Agora veja: 10 curiosidades sobre a Republica no Brasil

Putz! Chamem o carpinteiro! O troninho
tá podre!!!

  1. - O primeiro a dar o grito da República foi o sargento-mor e vereador de Olinda Bernardo Vieira de Melo. O militar lançou a proposta em 10 de novembro de 1710 porque estava insatisfeito com a exploração abusiva do país pelos monarcas portugueses. O pedido foi rejeitado.
  2. - Ao proclamar a República, Deodoro da Fonseca estava com um ataque de dispneia. Foi tirado da cama no meio da noite para comandar o cerco ao Ministério. Foi sem a espada, porque seu ventre estava muito dolorido. O cavalo baio que usou não foi mais montado até a sua morte, em 1906.
  3. - Deodoro havia decidido apoiar os republicanos quatro dias antes. “Eu queria acompanhar o caixão do imperador, que está idoso e a quem respeito muito. Mas o velho já não regula bem, Portanto, já que não há outro remédio, leve à breca a Monarquia. Que venha, pois, a República”, disse.
  4. - Quando passou pelo portão do Ministério da Guerra, o marechal acenou com o quepe e ordenou às tropas que se apresentassem. As tropas se perfilaram e ouviram-se os acordes do Hino Nacional. Estava proclamada a República. Não houve derramamento de sangue.
  5. - Mesmo depois de proclamada a República, ninguém quis levar o telegrama com a notícia para D. Pedro II, que estava em seu palácio em Petrópolis. No meio da noite, o major Sólon Ribeiro foi ao encontro do Imperador, que teve que ser acordado.
  6. - Com medo de manifestações a favor da monarquia, os líderes do movimento pediam que D. Pedro II e sua família partissem naquela mesma madrugada. Dizem os relatos que a Imperatriz Tereza Cristina chorou, que Isabel ficou muda e que o Imperador apenas soltou um desabafo: “Estão todos loucos!”
  7. - Antes de viajar, no dia 17 de novembro, D. Pedro II escreveu uma mensagem: “Cedendo ao império das circunstâncias, resolvo partir com toda a minha família para a Europa amanhã [...] Ausentando-me, conservarei do Brasil a mais saudosa lembrança, fazendo votos por sua grandeza e prosperidade.”
  8. - No momento de embarcar, o imperador recebeu um convite de seu sobrinho, D. Carlos, rei de Portugal, colocando à sua disposição um dos seus palácios em Lisboa. Pedro agradeceu, mas não aceitou a oferta. Anos depois, Pedro II morreu deitado num travesseiro que ele encheu com terra brasileira.
  9. - No dia 5 de dezembro de 1889, o navio Alagoas chegou a Lisboa. A viagem da família real durou 18 dias. Apesar de ter sido recebido com honras, ele preferiu se hospedar com a imperatriz Teresa Maria num hotel na cidade do Porto. Depois de 23 dias, Teresa Cristina faleceu no quarto do hotel.
  10. Agora, veja esse quadro dos presidentes que já passaram no nosso querido e amado poder brasileiro e reflita:
  11. Algo não deu certo...

Fonte: http://www.historiadigital.org/historia-do-brasil/brasil-republica/republica-velha/10-curiosidades-sobre-a-proclamacao-da-republica/ Guia dos Curiosos: 10 curiosidades sobre a Independência do Brasil
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/500br/republica.htm

domingo, 6 de janeiro de 2013

A Revolta da Vacina... E você fazendo escândalo por uma injeção?


Rio de Janeiro no começo do século XX.
Algo esta fedendo...
O início do período republicado da História do Brasil foi marcado por vários conflitos e revoltas populares. O Rio de Janeiro não escapou desta situação. No ano de 1904, estourou um movimento de caráter popular na cidade do Rio de Janeiro. O motivo que desencadeou a revolta foi a campanha de vacinação obrigatória, imposta pelo governo federal. A situação da capital republicana, no início do século XX, era precária. A população carioca sofria com a falta de um sistema eficiente de saneamento básico. Este fato desencadeava constantes epidemias, entre elas, febre amarela, peste bubônica e principalmente a varíola. A população de baixa renda, que morava em habitações precárias, era a principal vítima deste contexto.

Brigada Mata-Mosquitos.
Terrível contra os insetos, e aos
pobres de espirito.
Preocupado com esta situação, o então presidente Rodrigues Alves colocou em prática um projeto de saneamento básico e reurbanização do centro da cidade. O médico e sanitarista Oswaldo Cruz convenceu o Congresso a aprovar a Lei da Vacina Obrigatória (31 de Outubro de 1904), sendo assim, Cruz foi designado pelo presidente para ser o chefe do Departamento Nacional de Saúde Pública, com o objetivo de melhorar as condições sanitárias da cidade. Exterminar a febre amarela que rondava os portos e as cidades do litoral, há sessenta anos, foi a primeira medida de Oswaldo Cruz. Era preciso acabar com as águas paradas, local de reprodução do mosquito transmissor da febre. A criação das Brigadas Mata-Mosquitos, que eram grupos de funcionários do serviço sanitário e policiais que invadiam as casas, matando os insetos encontrados, etc. Também nessa medida de saneamento, foi incluído o processo de urbanização. O processo incluía a demolição das favelas e cortiços, expulsando seus moradores para as periferias.

Revista da Semana.jpg
Capa da Revista da Semana sobre a
Revolta da Vacina, outubro de 1904
Entre os dias 10 e 16 de novembro, uma campanha de vacinação obrigatória é colocada em prática. Embora seu objetivo fosse positivo, ela foi aplicada de forma autoritária e violenta. Em alguns casos, os agentes sanitários invadiam as casas e vacinavam as pessoas à força (os funcionários responsáveis pelo serviço tinham que vacinar as pessoas mesmo que elas não quisessem), Este ato provocava a indignação nas pessoas. No dia 5 de novembro, a oposição criava a Liga contra a Vacina Obrigatória. Também a falta de conhecimento da população criou superstições sobre os efeitos da vacina, aumentando o pavor dos moradores. 

A população começou a fazer ataques à cidade, destruir bondes, prédios, trens, lojas, bases policiais, etc. espalhando a desordem na metropólis. Esse episódio da história brasileira ficou conhecido então como Revolta da Vacina. Mais tarde, os cadetes da Escola Militar da Praia Vermelha também se voltaram contra a lei da vacina. A cada dia, impulsionada também pela crise econômica (desemprego, inflação e alto custo de vida) e a reforma urbana que retirou a população pobre do centro da cidade, derrubando vários cortiços e outros tipos de habitações mais simples.

Putz! O bonde atrasou!
Em 16 de novembro, o presidente Rodrigues Alves revoga a lei da vacinação obrigatória. Para finalizar as rebeliões,  Alves coloca nas ruas o exército, a marinha e a polícia para acabar com os tumultos. A rebelião foi contida, deixando 30 mortos e 110 feridos. Centenas de pessoas foram presas e, muitas delas, deportadas para o Acre. Em poucos dias a cidade voltava a calma e a ordem tendo também como resultado a erradicação da varíola.





Biografia de Oswaldo Cruz:


Oswaldo Cruz (1872-1917) nasceu em São Luiz de Paraitinga, em São Paulo, no dia 5 de agosto. Filho de Bento Gonçalves Cruz, médico carioca e de Amélia Bulhões da Cruz. Em 1877 mudam-se para o Jardim Botânico no Rio de Janeiro. Estudou com a mãe e aos cinco anos já lia e escrevia. Ingressou no Externato Dom Pedro II onde fez o preparatório para Medicina. Iniciou a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1887, mostrou logo grande interesse pelo laboratório e pelo microscópio. Em 1891 publicou dois trabalhos sobre microbiologia. Em 1892 concluiu o curso.

Começou a trabalhar no Laboratório de bacteriologia na Cadeira de Higiene da Faculdade de Medicina. Em 24 de dezembro de 1892 defendeu sua tese de doutorado com o tema "Veiculação Microbiana pelas águas do Rio de Janeiro". Em 1893 casa-se com Emília da Fonseca. O casal teve seis filhos. Vai para Paris, em 1896, trabalhar com Olhier e Vilbert, especialistas em medicina legal. Seu interesse por microbiologia o fez ingressar no Instituto Pasteur sob a direção de Émile Roux, descobridor do soro antidiftérico.

Voltou ao Brasil em 1899, logo foi encarregado de debelar o surto de peste bubônica que assolava o porto de Santos. A Fazenda Manguinhos, no Rio de Janeiro, foi escolhida para instalação do Instituto Soroterápico Nacional. Oswaldo Cruz foi indicado para Diretor Técnico. Em 1900 o Instituto foi inaugurado. Em condições precárias e com uma equipe improvisada o soro logo fica pronto e é enviado para Santos. Em 1902 Oswaldo Cruz assume a direção geral do Instituto.

Depois dos eventos da "Revolta da Vacina", Oswaldo Cruz foi responsável da campanha de vacinação erradicando algumas doenças que eram contagiosas entre a população, a febre amarela foi debelada em três anos e a varíola,   mesmo com o descrédito da população, foi considerada extinta, em 1906.  Em 1907 representou o Brasil no Congresso Internacional de Higiene de Berlim. No mesmo ano ingressou na Academia de Medicina do Brasil. Em 1908 o Instituto soroterápico recebe o nome de Instituto Osvaldo Cruz. 

Em 1909, com a saúde abalada, deixa a direção da Saúde Pública, dedicando-se ao Instituto. Em 1911 em Dresden, na Alemanha, a Exposição Internacional de Higiene confere um diploma de honra ao Instituto Oswaldo Cruz. Em 1912, após participar de um congresso no México, Oswaldo Cruz foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, com a cadeira nº 5. Oswaldo Gonçalves Cruz morre de insuficiência renal, no dia 11 de fevereiro de 1917, em Petrópolis, no Estado do Rio de Janeiro.



Fonte: www.suapesquisa.com/historiadobrasil/revolta_da_vacina.htm
http://www.infoescola.com/historia/revolta-da-vacina/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_da_Vacina