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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Oskar Schindler: O salvador dos Judeus na Segunda Guerra


Oskar Schindler nasceu a 28 de Abril de 1908 em Zwittan na Checoslováquia. Os vizinhos mais próximos eram uma família de judeus ortodoxos cujos dois filhos se tornaram nos melhores amigos de Oskar  A família era uma das mais ricas e respeitadas de Zwittan, mas em resultado da grande depressão dos anos 30 a empresa da família foi à falência. Oskar Schindler ficou desempregado, e juntou-se como muitos outros alemães na sua situação ao Partido Nazista. Foi recrutado pelos serviços secretos alemães para recolher informações sobre os polacos. Esta atividade tornou-o muito considerado e estimado e permitiu estabelecer muitos contatos com oficiais nazis, o que lhe viria a ser muito útil mais tarde.
Oskar Schindler (o terceiro a esquerda) entre
membros da SS
Após a anexação dos Sudetos em 1938. No início da Segunda Guerra Mundial, deixou a sua mulher em Zwittan e foi para Cracóvia, Polônia a fim de ganhar dinheiro aproveitando-se da situação. Com dinheiro de judeus, reabriu uma antiga fábrica de panelas e converteu-a para produção de armamento, empregando 350 judeus, uma vez que estes eram mão de obra barata. A origem destes trabalhadores era o Gueto de Cracóvia, local onde todos os judeus da cidade foram escondidos.
Ficheiro:Oskar shindler factory krakow.jpg
A fábrica de Oskar Schindler
em Cracóvia
Em março de 1943, o gueto foi ativado e os moradores que não foram no local foram enviados para o campo de concentração de Plaszow. Os operários de Schindler trabalhavam o dia todo em sua fábrica e à noite voltavam para Plaszow. Apesar da família Schindler ter à sua disposição uma enorme mansão junto a fábrica, Ele compreendeu o medo que os judeus tinham das visitas nocturnas das SS. Em Plazow, Schindler não passou uma única noite fora do pequeno escritório da fábrica.

Quando, em 1944, os administradores de Plaszow receberam ordens de desativar o campo, devido ao avanço das tropas russas - o que significava mandar os seus habitantes para outros campos de concentração onde seriam mortos - Oskar Schindler convenceu-os através de suborno que necessitava desses operários "especializados" e criou a famosa Lista de Schindler. Os judeus integrantes desta lista foram transferidos para a sua cidade natal de Zwittau-Brinnlitz, onde colocou-os em uma nova fábrica adquirida por ele (Brnenec). 
A fábrica continuou a produzir munições para o exército alemão durante 7 meses. Durante aquele período nenhuma munição passou nos testes de qualidade militar e por isso pôde ser utilizada. Em vez disso, eram produzidos passes militares e senhas de racionamento falsos, uniformes nazis, armas e granadas de mão. Incansável, Schindler, conseguiu ainda convencer a GESTAPO a mandar cerca de 100 judeus belgas, dinamarqueses e húngaros para a sua fábrica para "continuar a produção de material de guerra".

Ficheiro:Schindlers factory Brnenec CZ 2004b.JPG
A fábrica de Oskar Schindler
em Brnenec
Até à Libertação na Primavera de 1945. Oskar Schindler procurou assegurar de todas as maneiras possíveis a segurança dos "seus judeus". Gastou todo o seu dinheiro e mesmo as jóias da sua mulher para comprar comida e medicamentos. Criou um sanatório secreto na sua fábrica com equipamento médico comprado no mercado negro. Aqui, Emile Schindler, a sua mulher, tratava os doentes. Àqueles que não sobreviveram foi dado um funeral judeu (num lugar escondido) pago por Schindler. Através dos seus contatos nos círculos militares e industriais em Cracóvia e Varsóvia e finalmente foi a Berlim para salvar os "seus judeus" de uma morte certa. Com a sua vida em perigo usou todos os seus poderes de persuasão, subornou sem qualquer medo, até conseguir.
Durante estes anos de guerra, milhões de judeus foram mortos nos campos de concentração polacos como Treblinka, Majdanek, Sorbibor, Chelmno e Aushwitz (mesmo junto à fábrica de Oskar Schindler). 1.200 judeus entre homens, mulheres e crianças foram salvos de perecer em um campo de concentração . Nos últimos dias da guerra, antes da entrada do exército russo na Morávia em Maio de 1945, Schindler juntou toda a gente na fábrica e despediu-se com muita emoção. conseguiu ir para a Alemanha em território controlado pelos Aliados (americanos e ingleses) e livrou-se de ser preso devido aos depoimentos dos judeus a quem ajudara. 
Passada a guerra, a vida de Schindler passou por uma série de fracassos. Tentou sem sucesso ser produtor de cinema e ficou privado da sua nacionalidade imediatamente a seguir à guerra. Na sequência de ameaças contra a sua vida que antigos nazis lhe fizeram pediu permissão aos E.U.A. para ir para a América, tendo-lhe sido recusado o visto por ter pertencido ao Partido Nazi. Depois disto fugiu para Buenos Aires na Argentina. Fixou-se como agricultor em 1946 tendo sido financiado pela organização da União dos Judeus e também de judeus agradecidos que nunca o esqueceram. 
Ele e a esposa Emilie Schindler foram agraciados com uma pensão vitalícia do governo de Israel em agradecimento aos seus atos humanitários. O seu nome foi inscrito, junto a uma árvore plantada no centro da cidade por ele, na avenida dos Justos entre as Nações do museu do holocausto do Yad Vashem em Jerusalém, ao lado do nome de outras cem personalidades não judias que ajudaram os judeus durante o Holocausto. Uma estátua no Parque dos Heróis louva-o como o salvador de mais de 1200 judeus. Durante a guerra tornou-se próspero, mas gastou o seu dinheiro com a ajuda prestada aos judeus que salvou e com empreendimentos que não deram certo após o término da guerra.
Viveu na Alemanha na cidade de Hildesheim (Rua Goettingstrasse 30 no bairro Weststadt) entre 1971 e 1974 e morreu pobre num hospital em Hildesheim no dia 9 de outubro de 1974, com 66 anos de idade. Foi enterrado no cemitério cristão (ele era católico) no Monte Sião em Jerusalém com honras de herói
Ficheiro:Schindlergrave 20070324.jpg
Túmulo de Oskar Schindler
em Jerusalém
Oskar Schindler foi descrito como um cínico, um explorador ganancioso de escravos durante a 2ª Guerra Mundial, um mercador que fazia comércio no mercado negro, jogador, membro do Partido Nazi eternamente à procura de lucro, um playboy alcoólico, um desavergonhado, um mulherengo do pior tipo. É então que Oskar Schindler decide arriscar um plano para desviar judeus do seu destino provável nas câmaras de gás. Na sua fábrica situada no campo de trabalho em Plazow, nem os guardas nem ninguém sem autorização de Schindler é autorizado a entrar na sua fábrica. Na sua fábrica os trabalhadores passam menos fome que noutras instalações do mesmo gênero  Quando a quantidade de comida atinge o limite crítico, Schindler compra-a no mercado negro. Os idosos são registados como jovens de 20 anos e as crianças, registadas como adultos. Advogados, médicos e artistas eram registados como metalúrgicos e mecânicos – tudo para poderem sobreviver como elementos essenciais para a industria de guerra. Na sua fábrica ninguém é torturado, espancado ou enviado para as câmaras de gás. Schindler salvou os judeus deste destino.
Hoje há mais de 6000 descendentes dos "judeus de Schindler" a viver nos E.U.A., na Europa e em Israel. Antes da 2ª Guerra Mundial, a população judaica da Polónia era de 3,5 milhões. Hoje são entre 3000 e 4000 pessoas.

Fonte:  pt.wikipedia.org/wiki/Oskar_Schindler
http://www.eb23-diogo-cao.rcts.pt/Trabalhos/nonio/xx/schind/schin.htm
Imagens: pt.wikipedia.org/wiki/Oskar_Schindler

terça-feira, 24 de julho de 2012

Segunda Guerra Mundial: Pearl Harbor: O dia que o EUA entrou na guerra...

Durante o inicio a Segunda Guerra, as duas potência: EUA e URSS ficaram a margem dos acontecimentos, A Rússia tinha estabelecido um pacto de "não agressão" a Alemanha, mesmo que um dos objetivos de Hitler era derrubar o comunismo de vez na Europa e  futuramente tinha planos de dominar o território russo, bem debaixo do nariz de Stalin, o todo soberano soviético. Já os Estados Unidos nem queria se envolver com a guerra. Para eles, a guerra era questão da Europa, e o EUA ajudou de certa forma, no armamento de ambos os lados. Mas um país do Eixo não estava satisfeito com a neutralidade americana, e toda essa soberania interferia nas conquistas dos territórios do extremo oriente: O Japão. 
Para a Alemanha, a neutralidade dos americanos não interferia no andamento da guerra. E também, a neutralidade da URSS já tinha caído por terra com a operação Barbarossa em 1941. Entretanto, já era de se prever que essa delicada diplomacia não ficaria isenta por muito tempo. Já o Japão cometeu um golpe profundo no orgulho americano e a Guerra tomava outro rumo...

O crescimento
da Nação Japonesa
 Após a Restauração Meiji, o Japão Imperial embarcou rapidamente num período de expansão econômica, política e militar num esforço em alcançar as potências europeias e norte-americanas. A sua estratégia de expansão incluía a extensão territorial e o controle econômico para aumentar o seu acesso a recursos naturais. Ao executar esta estratégia, o Japão iniciou um número de aventuras militares que iniciaram conflitos com vários países vizinhos. Estes incluíam a China em 1894, no qual o Japão tomou controle da Ilha Formosa, e a guerra com a Rússia em 1904, ganhando o Japão território na China e na península coreana. Após a Primeira Guerra Mundial, a Liga das Nações deu ao Japão a custódia das colônias da Alemanha Imperial no Leste e nas águas do Pacífico. Em 1931, o Japão impôs um estado controlado por si na Manchúria conhecido como Manchukuo. A Liga das Nações, os Estados Unidos, o Reino Unido, a Austrália e os Países Baixos, todos com interesses territoriais no Sudoeste da Ásia, desaprovaram os ataques japoneses contra a China e responderam com condenação e pressão diplomática. O Japão protestou e retirou-se da Liga das Nações em protesto. Em Julho de 1939, os EUA aumentaram a pressão ao terminarem o tratado comercial estado-unidense com o Japão, que tanto mostrou oficialmente a posição dos EUA como removeu quaisquer barreiras legais contra embargos. O Japão continuou com a sua campanha militar na China e assinou o tratado Anti-Comintern com a Alemanha Nazi, formalmente acabando com as hostilidades do fim da Primeira Guerra Mundial, e declarando interesses comuns entre os dois países. Em 1940, o Japão assinou o Pacto Tripartite com a Alemanha nazista e a Itália fascista para formar os poderes do Eixo.
O imperador Hirorito em inspeção de sua leal
tropa de soldados
As ações japonesas fizeram assim que os EUA criassem embargos contra as importações japonesas de metal e gasolina e fechassem o Canal do Panamá a embarcações japonesas. A situação continuou a agravar-se, e em 1941 o Japão avançou para o norte da Indochina (atual Vietnã, Laos e Camboja). O governo estado-unidense respondeu congelando todos os bens japoneses nos EUA e iniciou um embargo completo às importações japonesas de petróleo. O petróleo era provavelmente o recurso mais crucial do Japão, devido aos seus próprios recursos petrolíferos serem bastante limitados e 80% das importações japonesas de petróleo provirem dos EUA. Certamente a Marinha Imperial Japonesa dependia inteiramente de petróleo importado. As negociações diplomáticas intensificaram-se quando os Estados Unidos enviaram uma nota ao Japão, no qual o primeiro-ministro Hideki Tojo descreveu ao seu gabinete como um ultimato. O Japão sentiu que teria de escolher entre aceitar os termos dos EUA e do Reino Unido, retirando assim da China e dos territórios à volta dela, e continuar o seu expansionismo. Preocupado em perder status e prestígio na comunidade internacional se o Japão recuasse e percebendo a ameaça dos poderes ocidentais, que controlavam território no Pacífico e na Ásia Oriental, para a sua segurança nacional, o governo imperial japonês, que tinha já opções militares preparadas, decidiu executá-las, entrando assim em guerra com os EUA, o Reino Unido e a Holanda. Tendo já assinado o Pacto do Eixo com a Alemanha nazista, a Itália fascista e outros países, o Japão teria de lutar contra os poderes Aliados ao lado dos seus aliados europeus.


Preparação japonesa:

Isoroku Yamamoto
Isoroku Yamamoto, o Comandante-em-chefe da Marinha Imperial, foi um forte advogado da solução diplomática para o conflito. Mas sabia que os partidários da via militar, cujo maior expoente na marinha era o Almirante Osami Nagano, chefe do Estado Maior naval, estavam cada vez mais perto de conseguir empurrar o país para a guerra. Então tratou de elaborar o melhor plano possível para uma situação estratégica que julgava difícil. Na época, era considerada a possibilidade de atrair a frota americana para água territoriais Japonesas, conseguindo uma vitória nos moldes da Batalha de Tsushima. Yamamoto sabia que os planos americanos (primeiro "Orange" e depois "Rainbow Five") para guerra com Japão não previam ataque imediato ao coração do Império, mas uma paulatina aproximação via Ilhas Marshall, Carolinas e Marianas. Isso levaria a uma guerra longa, onde a capacidade fabril da industria bélica dos EUA iria prevalecer. Yamamoto precisava de uma solução rápida, de preferência num único golpe decisivo, que levasse a negociações de paz em termos favoráveis.
Os comandantes japoneses elaborando
as manobras para surpreender
os americanos na base de Pearl Harbor
O Japão tinha ficado impressionado com a Operação Judgement (Batalha de Taranto) do Almirante Andrew Cunningham, onde 20 aviões Fairey Swordfish quase obsoletos lançados a partir de uma frota de porta-aviões destruiu e desativou metade da frota de combate italiana e forçou uma retirada da frota italiana da África. O Almirante Isoroku Yamamoto enviou uma delegação naval à Itália, a qual concluiu que uma versão melhorada e maior da manobra brilhante de Cunningham poderia obrigar a frota  norte americana a retirar-se para a base naval da Califórnia, dando assim um tempo estimado por Yamamoto de seis meses para o Japão controlarem as reservas de petróleo nas Índias Holandesas, com uma força defensiva em seu redor. Adicionalmente, os estrategas japoneses poderão ter sido influenciados pelas ações do Almirante  norte americano  Harry Yarnell no exercício de 1932 entre o Exército e a Marinha dos EUA, que assumia a possibilidade de uma invasão no Hawaii. Yarnell, com o papel de Comandante de uma frota atacante, navegou com os seus porta-aviões até nordeste de Oahu em mau tempo, e lançou um "ataque" de hidroaviões no domingo de 7 de Fevereiro de 1932. Os observadores do exercício notaram que os aviões de Yarnell conseguiram provocar sérios danos aos defensores, e que a sua frota conseguiu não ser detectada até 24 horas após o ataque. 
Pilotos japoneses recebendo as últimas
ordens antes do ataque
A doutrina da Marinha  americana  acreditava que quaisquer forças atacantes seriam confrontadas e destruídas pela frota de couraçados americanas em Pearl Harbor e viu a estratégia de Yarnell como impraticável na realidade. Yamamoto começou a considerar tal ataque no início de 1941 como uma batalha pré-guerra, tendo sido chegado à conclusão que uma guerra com os EUA seria inevitável após a entrega do ultimato  norte americano ao governo japonês, e após pressionar o quartel-general naval conseguiu permissão para começar formalmente a planejar um ataque e iniciar o treino necessário. Os eventos no verão desse ano deram origem a uma autorização preliminar para o planejamento do ataque na Conferência Imperial e mais tarde a autorização para o ataque foi dada numa outra Conferência Imperial em inícios de Novembro. 
As aeronaves japonesas prontas para o
ataque, saindo do porta avião Shokaku
A 26 de Novembro de 1941, uma frota incluindo seis porta-aviões, comandados pelo vice-almirante Chuichi Nagumo, deixou a baía de Hitokappu, nas Ilhas Kurilas e seguiu para Pearl Harbor sob um silêncio restrito, no qual todas comunicações via rádio entre as embarcações da própria frota e o Japão estavam proibidas. Os porta-aviões japoneses utilizados no ataque foram: Akagi, Hiryu, Kaga, Shokaku, Soryu e Zuikaku. Juntos, perfaziam um total de 441 aviões, incluindo caças Zero, bombardeiros-torpedo Nakajima Tipo 97 "Kate" e bombardeiros-de-mergulho Aichi Tipo 99 "Val". A frota japonesa e o seu grupo aéreo eram maiores que qualquer outra força de porta-aviões anterior. Acompanhavam também a frota oito reabastecedores de esquadra. Em adição, a Força Avançada Expedicionária incluía 20 submarinos e cinco mini-submarinos; esta força tinha como objetivo recolher informação e afundar quaisquer navios americano que tentassem fugir de Pearl Harbor durante o ataque aéreo. 

A fragilidade dos americanos em Pearl Harbor
A posição dos navios de guerra  americano   apresentava uma atrativa concentração de alvos.
Foto tirada da base de Pearl Harbor
para reconhecimento de ataque
As forças de inteligência e espionagem  americano, tanto civis como militares, já tinham entre si informação suficiente para antecipar o ataque japonês algumas semanas antes. As forças armadas em Pearl Harbor tinham, inclusive, recebido vários alertas no dia do ataque. Tais informações poderiam ter colocado a base num alerta máximo e ter diminuído as perdas, ou mesmo preparado a frota  norte americana para um contra-ataque aos porta-aviões japoneses.
A força de inteligência americana, através do Serviço de Inteligência do Exército e da unidade OP-20-G do Escritório de Inteligência da Marinha, tinha interceptado mensagens diplomáticas japonesas e tinham decifrado o código Púrpura, embora as mensagens não contivessem qualquer informação militar estratégica ou tática. Das máquinas com o nome de código Magic utilizadas para decifrar o código Púrpura, existiam três no Reino Unido, quatro em Washington e uma numa base nas Filipinas, não existindo nenhuma em Pearl Harbor. A distribuição da informação decifrada era confusa e insuficiente não chegando por meses a ser transmitidas as informações que mencionassem Pearl Harbor para o comandante da frota em Pearl Harbor. Contudo, avisos foram enviados para todos os comandantes das forças estado-unidenses no Pacífico, incluindo a clara mensagem de guerra nos finais de Novembro de 1941. 
"Milhares de aviões" preparados para matar
Os comandantes norte americanos tinham sido alertados que testes mostravam que o lançamento aéreo de torpedos em águas pouco profundas era possível, mas ninguém no Hawaii deu a devida atenção ao perigo colocado pela possibilidade. Na expectativa que Pearl Harbor teria defesas naturais contra ataques torpedo, a marinha dos EUA decidiu não montar redes contra torpedos, as quais estes viam como interferência a operações normais, sendo portanto uma prioridade baixa. No entanto, o Japão tinha já desenvolvido torpedos, que com a ajuda de barbatanas em madeira para estabilizar o torpedo de modo a este não afundar e bater no chão ao ser lançado do ar, podiam ser lançados mesmo até nas águas pouco profundas de Pearl Harbor, facilitando assim, a utilização dos mesmos contra os couraçados americanos ancorados.
No começo, os americanos imaginavam que era
apenas manobras de treinamento... 
Devido à falta de aviões de curta e longa distância, as patrulhas de reconhecimento de longo alcance (basicamente hidroaviões da marinha e caça-bombardeiros do Corpo Aéreo do Exército) não estavam a ser efectuadas tanto quanto eram necessárias para cobertura adequada da área em redor de Pearl Harbor. Na altura do ataque, o Exército, que tinha a responsabilidade pela defesa de Pearl Harbor, estava em modo de treino em vez de alerta, estando a maioria das suas armas antiaéreas desmontada para ser transportada e a munição fechava em armarias separadas. De modo a evitar problemas com proprietários de terrenos, os oficiais não mantinham armas dispersadas ao redor da base de Pearl Harbor (por exemplo, em propriedade privada).
Parte do plano japonês do ataque incluía terminar as negociações dos últimos meses com os EUA, 30 dias antes do início do ataque. Diplomatas da embaixada do Japão em Washington, incluindo o embaixador japonês, Almirante Kichisaburo Nomura, e um representante especial Saburo Kurusu, tinham estado a conduzir negociações com o Departamento de Estado sobre as reacções dos EUA ao avanço das forças japonesas para a Indochina no Verão.

O ataque
Aviões japoneses atacando as embarcações
americanas
Os primeiros tiros disparados e as primeiras mortes em Pearl Harbor ocorreram quando o USS Ward atacou e afundou um mini-submarino japonês às 6h37min (hora local). Existiam cinco mini-submarinos classe Ko-hyoteki, com o objectivo de entrar no porto e destruir os navios dos EUA utilizando torpedos. Nenhum dos submarinos conseguiu voltar a salvo e apenas quatro dos cinco foram encontrados desde o ataque. Dos dez marinheiros a bordo dos cinco submarinos, nove morreram e o único sobrevivente, Kazuo Sakamaki, foi capturado, tornando-se o primeiro prisioneiro de guerra capturado pelos americanos na Segunda Guerra Mundial. Fotografias recentes analisadas pelo Instituto Naval dos Estados Unidos indicaram que um mini-submarino conseguiu entrar no porto e disparar um torpedo com sucesso contra o USS West Virginia. A posição final deste mini-submarino é desconhecida.
Navios americanos em chamas
Na manhã do ataque, um novo radar instalado apenas uns dias antes do ataque indicou a presença dos aviões japoneses, mas o aviso foi confundido com a chegada prevista de um grupo de aviões dos EUA. Alguns aviões estado-unidenses foram abatidos à medida que a força de ataque se aproximava. Mas todos os avisos encontravam-se à espera de confirmação quando o ataque começou.
O ataque começou às 7h53min (hora local) de 7 de dezembro, que no horário de Tóquio correspondia às 3h23min de 8 de dezembro. Os aviões japoneses atacaram em duas vagas, nas quais 353 aviões chegaram a Oahu. A primeira vaga foi liderada por 186 torpedeiros-bombardeiros vulneráveis, aproveitando os primeiros momentos de surpresa atacando os navios no porto enquanto bombardeiros-de-mergulho atacavam as bases aéreas ao longo de Oahu, começando pelo campo aéreo Hickam, o maior, e o campo aéreo Wheeler, a principal base de caças. A segunda vaga de 168 aviões atacou o campo Bellows e a ilha Ford, uma base aérea naval e marinha no meio de Pearl Harbor. A única força de oposição veio de alguns P-36s e P-40s e de fogo antiaéreo naval.

Perdas da Marinha Imperial Japonesa
Avião japonês abatido
Dos 441 aviões das duas vagas, 29 (nove na primeira vaga e outros 20 na segunda vaga) foram abatidos durante a batalha, e outros 74 aviões foram danificados por fogo antiaéreo. Mais de 20 que aterraram em segurança nos seus porta-aviões encontravam-se irreparáveis.
Dos aviões que não retornaram, 15 eram bombardeiros de mergulho ou de nível, 5 aviões torpedeiros e 9 caças de escolta.
Dos cinco mini-submarinos que participaram da operação, 4 foram destruídos, e o quinto encalhou num recife, sendo seu capitão capturado. Nenhum logrou causar quaisquer danos ao inimigo. Um submarino convencional da classe "I" também acabou destruído.


Perdas das Forças Armadas dos EUA
Encouraçado Arizona
Os relatórios oficiais norte  americano enumeram os seguintes danos sofridos:

  • O encouraçado Arizona explodiu, levando mais de 1000 vidas
  • O encouraçado Oklahoma emborcou, deixando apenas pequena parte do casco acima da linha de água
  • O encouraçado California afundou, ficando parte das suas bateriais principais acima da linha de água
  • O encouraçado Nevada encalhou, sofrendo danos severos
  • O encouraçado West Virginia afundou
  • O encouraçado Maryland sofreu danos moderados, sem necessidade de reparos em doca seca
  • O encouraçado Tennessee sofreu danos moderados, exceto na ponte de comando, onde os danos foram severos
  • O encouraçado Pennsylvania, atingido nas docas secas, sofreu danos sérios, porém não de natureza vital
  • O encouraçado Utah, usado como navio alvo, emborcou
  • Os cruzadores Leves Releigh, Helena e Honolulu foram danificados moderadamente
  • Os contratorpedeiros Cassin, Downess e Shaw foram seriamente danificados
  • O navio de reparos Vestal foi intencionalmente encalhado para prevenir afundamento
  • O porta-hidroaviões Curtiss foi severamente danificado por choque com um avião e por uma bomba de 500 kg
  • O lança-minas Oglala emborcou.
Embarcações ainda explodindo
após o ataque
O exército e a marinha dos EUA tiveram 188 aviões destruídos e 159 severamente danificados. Morreram 2403 americanos, e outros 1178 foram feridos.
Os aviadores japoneses concentrara-se nos navios de superfície, poupando outros alvos de grande interesse. Nenhum dos nove submarinos que estavam fora dos bunkers foi alvejado. As oficinas de reparo não foram atingidas, permitindo que a recuperação de diversos navios danificados iniciasse imediatamente. O parque de tanques de combustível tampouco sofreu danos relevantes. Se fosse destruído, tornaria a base inoperante por um longo período.



Decisão de Nagumo de retirar após as duas vagas
Base de submarinos de Pearl Harbor, junto aos depósitos de combustível, 13 de Outubro de 1941.
 Comandante: Chuichi Nagumo
Alguns oficiais e líderes de vôo tentaram convencer Nagumo a atacar com uma terceira vaga para destruir os depósitos de combustível, fábricas e docas secas em Pearl Harbor. A destruição destas instalações aumentaria as dificuldades da marinha dos EUA, pois as instalações utilizáveis mais próximas encontravam-se a milhares de quilómetros do Havai, na costa dos Estados Unidos. Vários historiadores sugerem que a perda destas instalações seria mais pesada que a perda de todos navios de guerra durante as duas primeiras vagas. Nagumo decidiu cancelar a terceira vaga a favor de uma retirada, por vários motivos:
A performance das defesas antiaéreas tinha melhorado muito na segunda vaga (20 aviões perdidos) em relação à primeira (9 aviões perdidos), e dois terços das perdas japonesas aconteceram durante a segunda vaga, devido em parte aos norte-americanos já estarem alertados. Uma terceira vaga teria sofrido perdas ainda maiores.
As duas primeiras vagas tinham utilizado essencialmente todos os aviões preparados posteriormente ao ataque, e uma terceira vaga teria levado tempo a ser preparada, dando provavelmente tempo às forças estado-unidenses para encontrar e atacar a frota de Nagumo. A localização dos porta-aviões estado-unidenses em exercício antes do ataque continuava desconhecida para Nagumo.
Os pilotos japoneses não tinham treinado para o ataque às bases navais de Pearl Harbor e organizar tal treino demoraria ainda mais tempo.
O combustível disponível não permitia que a força japonesa ficasse mais tempo a norte de Pearl Harbor.
A hora da possível terceira vaga seria tão tarde que obrigaria os aviões a voltarem aos seus porta-aviões após o anoitecer. As operações aéreas noturnas ainda eram muito recentes em 1941, e nenhuma força mundial tinha ainda desenvolvido técnicas eficazes.
A segunda vaga tinha completado essencialmente a missão inteira: neutralizar a frota americana  no Pacífico.
Os porta-aviões eram necessários para servirem de suporte para o ataque principal japonês contra as Filipinas, as Índias, Malásia e Birmânia, no qual o objectivo era capturar combustível e outros recursos. Nagumo tinha ordens directas para não arriscar o seu comando mais do que o necessário. As previsões posteriores ao ataque indicavam que, provavelmente, a força japonesa sofreria a perda de dois a quatro porta-aviões durante o ataque, e Nagumo estava bastante contente por não ter sofrido grandes baixas e não queria abusar da sua sorte.

Ataques posteriores
Mais tarde durante a guerra vários outros ataques numa escala menor foram efectuados contra Pearl Harbor. A Março de 1942 na Operação K-1, em preparação para a invasão de Midway, dois hidroaviões japoneses Kawanishi H8K, baseados em Wotje nas Ilhas Marshall, descolaram para efetuar reconhecimento aéreo para ver como estavam as reparações a serem levadas a cabo em Pearl Harbor, e para bombardearem a importante doca de reparações Ten-ten. Por causa da distância, necessitou de reabastecimento durante a viagem, sendo este efetuado através de submarinos a 800 km do nordeste de Pearl Harbor. A fraca visibilidade durante a missão fez com que as bombas fossem largadas a alguns quilómetros do seu alvo.
Apenas algumas horas após o início do ataque a Pearl Harbor (dia seguinte, 8 de Dezembro de 1941, na linha internacional de data), tropas japonesas começaram a atacar os territórios de Hong Kong, seguido de alguns ataques às Filipinas, Wake Island, Malásia, e Tailândia e o afundamento do HMS Prince of Wales e Repulse.


Franklin Delano Roosevelt a assinar a declaração de guerra no dia seguinte ao ataque.
A notícia chega nos jornais americanos
A 8 de Dezembro de 1941, o Congresso dos Estados Unidos declarou guerra ao Japão com um único voto contra, a da deputada Jeannette Rankin, que também havia votado contra a entrada dos EUA na I Guerra Mundial. O Presidente Roosevelt assinou a declaração de guerra, apenas alguns minutos depois. O governo dos EUA continuou e aumentou a intensidade da mobilização militar e iniciou uma economia de guerra no país. Como resposta, Franklin Roosevelt ordenou um ataque a Tóquio, coração do Japão, considerado praticamente impossível, originando assim o ataque Doolittle lançado a 18 de Abril de 1942.
Presidente Roosevelt assinando a
declaração de guerra
A Alemanha Nazista declarou guerra aos Estados Unidos a 11 de Dezembro, quatro dias após o ataque japonês. Hitler não era obrigado a fazer tal declaração pelos termos do Pacto Tripartite. A declaração de guerra escandalizou o público norte-americano e permitiu aos Estados Unidos entrarem diretamente no teatro de guerra do Pacífico e aumentar o seu apoio ao Reino Unido, que já tinha pedido há muito tempo um apoio total por parte dos EUA.
Em termos de objetivos, o ataque a Pearl Harbor foi um tremendo sucesso tático. Até mesmo o ataque surpresa dos porta-aviões britânicos à base naval italiana de Taranto, em 1940, não foi tão devastante em termos de danos causados, embora tenha sido um sucesso ao neutralizar a Marinha Italiana. Devido à suas graves perdas em Pearl Harbor e a invasão subsequente das Filipinas, a Marinha dos EUA ficou impossibilitada, nos seis meses seguintes ao ataque, de ter qualquer papel significativo no teatro de guerra do Pacífico. Com a frota  americana  fora de combate, o Japão podia, temporariamente, e sem preocupações, conquistar o Pacífico e expandir-se para o sudoeste Asiático, o sudoeste do Pacífico e até ao Oceano Índico. Embora o ataque a Pearl Harbor tenha sido o ataque mais notável em solo norte-americano durante a Segunda Guerra Mundial, houve mais ataques.


Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/Ataque_a_Pearl_Harbor
Imagens: Google image

Segunda Guerra Mundial: Operação Barbarossa. Os alemães provocam o gigante soviético

Stalin, o supremo ditador da União Soviética não tinha muita diferença em governar como Hitler, cruel e sanguinário, ele perseguia os seus adversários políticos e eliminava ou exilava nas minas geladas da Sibéria. Muitos morreram nas mãos desse tirano. Mas, durante os primeiros anos da Segunda Guerra, Stalin e Hitler formaram um pacto de não agressão o "Ribbentrop-Molotov", no qual a Alemanha Nazista não atacasse a Russia Comunista ou vice versa. Até ai, essa aliança demonstrava que ambos tinham até as mesmas genialidades e finalidades como ditadores, certo? Errado! Hitler era declaradamente inimigo do comunismo e aproveitou até certo ponto, das ações de fraternidade do seu ingenuo amigo russo. Stalin, por muito tempo, atendia as necessidades do arsenal bélico alemão como combustível e artefatos metálicos, o que ditador não imaginava que todo esses recursos iriam contra ele próprio. Em 18 de dezembro de 1940, entre seus generais, Hitler planejava uma operação de invasão e conquista do território russo e isso foi posto em ação em 22 de Junho de 1941. o nome dessa operação era uma homenagem ao grande rei do Sacro Império Romano-Germânico nas cruzadas medievais no século XII: "Frederico BARBARROSA"!

Operação Barbarossa (em alemão: Unternehmen Barbarossa) foi o codinome pelo qual ficou conhecida a operação militar alemã para invadir a União Soviética, iniciada em 22 de junho de 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, rompendo assim com o "Pacto Ribbentrop-Molotov" (ou tratado de não-agressão) acordado entre os dois Estados menos de dois anos antes.
Considerada a maior e mais feroz campanha militar da história em termos de mobilização de tropas e baixas sofridas, onde 4,5 milhões de soldados do Eixo invadiram a União Soviética numa frente de 2900 km sendo também utilizados 600.000 veículos automotores e 750.000 cavalos. 

Roleta Russa: As intenções dos Nazistas 
1941 Hulton Archive/Getty Images
Infantaria motorizada das forças armadas alemãs avançando
 para a Ucrânia durante a invasão da Rússia, junho de 1941.
As atitudes do líder soviético Stalin deram as justificativas para a invasão alemã e a necessidade de uma vitória. Nos anos 1930, Stalin havia ordenado que milhões de cidadãos, e muitos oficiais soviéticos competentes, fossem eliminados no que ficou conhecido como Grande Expurgo. Foi feito um apelo pela propaganda alemã de que os soviéticos planejavam atacá-los.
O ditador nazista Adolf Hitler deixara claro a seus generais que desejava terminar a questão soviética antes do rigoroso inverno russo – em outras palavras, a campanha deveria ser rápida e fulminante, onde a Luftwaffe deveria eliminar e paralisar a Força Aérea Russa na maior extensão possível, apoiando o avanço do Exército Alemão. Como havia ocorrido na Blitzkrieg, os pilotos de Göring fariam ataques preventivos contra as forças inimigas, buscando alcançar a superioridade aérea que permitisse a eles utilizar os bombardeiros e caças para cortar as linhas de suprimentos e comunicação, isolando as tropas soviéticas que estivessem no fronte.
Tanques Panzers alemães, atacando
o front russo,1941
Mas, na véspera da invasão, o ditador italiano Benito Mussolini pediu ajuda a Hitler, pois havia tentado invadir a Grécia através da Albânia, que haviam conquistado em 1939, e, não apenas não haviam dominado a Grécia, como estavam em vias de perder a Albânia para os gregos. Hitler enviou ajuda, e dominou quase toda a região dos Balcãs. E isso atrasou a Operação Barbarossa em algumas semanas, atraso que se mostrou decisivo, pois logo veio o temido inverno russo.
Três grandes grupos de exércitos foram formados: o Norte, encarregado de ocupar a Lituânia e Letônia rumo a Leningrado (atual São Petersburgo), recebendo o apoio da recém formada Luftflotte 1 sob comando do general Alfred Keller, contando com 480 aeronaves; o Centro, que visava um ataque frontal à capital Moscou, com o apoio da Luftflotte 2, sob o comando de Albert Kesselring, contando com 1.080 aeronaves e o Sul, destinado a ocupar os vastos campos de trigo da Ucrânia e, por fim, o petróleo do Cáucaso, recebendo o apoio da Luftflotte 4 comandada pelo General Alexander Lohr, com uma força de 690 aviões.

A Ofensiva Alemã
1941 Max Alpert/Slava Katamidze Collection/Getty Images
Mulheres e crianças andando para o
leste da Rússia depois da invasão alemã.
Às 3:15 da madrugada do domingo de 22 de junho de 1941, cerca de 4 mil veículos blindados e 180 divisões formadas por mais de 3,5 milhões de soldados do Eixo irromperam sobre as defesas soviéticas. Por ar, a Luftwaffe atacou as bases inimigas que havia detectado dias antes com aeronaves de reconhecimento, tendo assim alcançado um grande sucesso ao destruir cerca de 1800 aeronaves soviéticas somente no primeiro dia de invasão e até o dia 29 de junho, este número já havia chegado a 4000 aeronaves destruídas, sendo 2500 destas destruídas pela Luftflotte 2, sofrendo uma perda de somente 150 aeronaves.
A mobilização do Exército Vermelho para tentar deter o avanço alemão não foi capaz de deter o ímpeto do ataque; centenas de milhares de soldados foram envolvidos em combate pelos alemães. Cidades como Minsk e Kiev foram cercadas em poucos dias. Em agosto de 1941, os alemães haviam aprisionado meio milhão de soldados soviéticos, e pelo menos outras 89 divisões (cerca de 1,8 milhão de soldados) teriam o mesmo destino antes de dezembro. Nos primeiros dias do ataque, o líder soviético Josef Stalin permaneceu isolado, sem emitir comunicados. O fato de a Alemanha tê-lo traído o perturbava. Em 3 de julho de 1941, Stalin transmitiu um comunicado de terra arrasada: cidades, casas e plantações deveriam ser destruídos ou queimados, para privar os invasores de seus recursos. O povo soviético deveria abandonar toda e qualquer complacência com os alemães.
1941 Keystone/Getty Images
Grupo de bolcheviques capturados pelos
 nazistas na Operação Barbarossa.
Embora relativamente eficiente, no sentido de reanimar a população desesperada pela ofensiva alemã e por usar a linguagem típica do camponês russo, os ecos da transmissão não foram unânimes. Em parte por seu regime e pelas dificuldades originadas pelas reformas econômicas que ele implantara tão drasticamente.
Assim sendo, em muitas aldeias da Ucrânia, Lituânia, Letônia e Estônia, estas três últimas eram estados independentes pró-nazistas antes de serem anexadas por Stalin em 1940, os invasores alemães foram recebidos como "libertadores". Em novembro de 1941, os alemães já tinham conquistado uma área quatro vezes maior que a Grã-Bretanha. O cerco a Leningrado começara, e perduraria por três anos. Moscou estava a apenas algumas semanas de marcha. Foi quando os primeiros flocos de neve começaram a cair, prejudicando o avanço alemão, uma vez que as tropas alemãs não estavam preparadas para o rigoroso inverno russo.

A grande virada: O "General Inverno" ataca!
1944 Hulton Archive/Getty Images
Soldados alemães cobertos de neve e gelo durante
o inverno na União Soviética.
Cerca de 250 mil soldados da Wehrmacht pereceram ao enfrentar, além dos russos, temperaturas abaixo de dez graus negativos. Ambos os lados lutaram bravamente, nas mais duras condições. Vale ressaltar que o nome da cidade de Stalingrado era uma homenagem a Josef Stalin, o que tornava maior seu valor para os alemães, caso fosse tomada.
Outra conseqüência do rigoroso inverno foi que as armas e veículos alemães paravam de funcionar em temperaturas tão baixas, o que retardava ainda mais o avanço. O "General Inverno" outra vez se impunha, como já havia feito contra Napoleão Bonaparte em 1812. Nas áreas conquistadas, o inverno atuou contra as tropas russas, pois os alemães encontravam-se abrigados. Deve-se ressaltar, portanto, que o inverno tornou as condições terríveis para ambos os exércitos.
Com o fulminante avanço alemão sobre a capital da União Soviética, instalou-se o desespero entre os moscovitas. Muitos fugiram, entre eles muitos dirigentes do Partido Comunista da União Soviética. Mas Stalin permaneceu – numa tentativa de reerguer o moral do povo. Entregou a hercúlea tarefa de defender a cidade a seu mais experimentado e competente general, Georgy Jukov. Tão truculento e resoluto quanto seu líder, ele reorganizou o Exército Vermelho e fê-lo desfechar um gigantesco contra-ataque sobre as tropas alemãs. Em janeiro de 1942, os russos já tinham forçado a Wehrmacht a recuar cerca de 200 quilômetros, salvando a capital.
1942 Slava Katamidze Collection/Getty Images
Tanque soviético passa por corpo de soldado
alemão morto e coberto de neve. União Soviética
Hitler mudou de idéia, instigando um ataque ao Cáucaso que levaria os alemães a uma derrota fragorosa em Stalingrado e à reversão da ofensiva na frente oriental. Os russos ainda teriam de trilhar um longo caminho para expulsar o invasor de sua pátria.
Com a falha da Operação Barbarossa, ficaram complicadas as futuras operações dentro do território soviético, tendo todas estas tentativas falhado, como a continuação do Cerco de Leningrado, Operação Nordlicht, e a Batalha de Stalingrado, entre outras batalhas no território soviético ocupado. Foi aberto um novo fronte na Segunda Guerra, a Frente Oriental, onde foram concentradas mais forças do que em qualquer outro teatro de guerra da história, sendo assim, ficou inevitável que neste fronte ocorressem algumas das maiores batalhas, baixas e atrocidades, trazendo o horror para as forças alemães e soviéticas que ali se enfrentavam, influenciando decisivamente no curso da guerra e da história do século XX.


segunda-feira, 23 de julho de 2012

Segunda Guerra Mundial: O Japão, Aliado do Eixo???


Um país que não tinha nexo geograficamente físicos com a guerra era o Japão. Longe demais dos países europeus do Eixo (Alemanha e Itália), os japoneses só tinha um interesse apenas na guerra: Ampliar seus domínios no extremo asiático, conquistando pelo oeste, a China (um pequeno território) e outros países continentais como os territórios da Manchúria e a península Coreana e ao leste, as ilhas do Pacífico Sul (alguns sob jurisdição de países europeus como a França e Grã Bretanha, e outros pelo EUA). O Japão desenvolvia um grande arsenal para a guerra e seus soldados eram bem treinados e dedicados aos atos de batalha (podendo até dizer: meramente extremistas). A união com os países do Eixo tinha um objetivo sinistro: "Confrontar os Estados Unidos diretamente." Uma decisão totalmente suicida em provocar uma Grande Potência Ocidental, mas que por pouco eles poderiam ter conseguido... Se o desfecho dessa guerra não terminasse em uma tragédia desproporcional para o próprio povo japonês.  

A Segunda Guerra Sino-Japonesa
Soldados Japoneses

A Segunda Guerra Sino-Japonesa foi travada de 1937 a 1945 entre a China e o Japão, antes e durante a Segunda Guerra Mundial. Apesar dos conflitos permanentes entre as duas nações existirem desde 1931, chamados de “incidentes”, a guerra em larga escala começou em julho de 1937 e só terminou com a rendição incondicional do Império Japonês aos Aliados em setembro de 1945.O motivo principal dos incidentes seria a intenção de anexação de territórios chineses pelo Império Japonês, que iniciava uma nova fase de colonialismo baseado no militarismo. A China, apesar de seu imenso território e população, passava por um período de franca decadência, iniciada ainda no sec. XIX, passando pelo fim da monarquia e com uma guerra civil entre o governo republicano capitalista e a frente comunista liderada por Mao Tse-tung. Este cenário foi perfeito para as intenções japonesas de anexação da Manchúria e da península da Coréia.

A palavra “incidente” (jihen, em japonês) era usada pelos japoneses já que nenhuma nação tinha até então declarado guerra uma à outra. Os japoneses na verdade queriam evitar a intervenção de outras potências no conflito asiático, como a Grã-Bretanha e principalmente os Estados Unidos, principal exportador de aço e petróleo para o país, caso as escaramuças locais fossem chamadas de guerra.


As raízes da discórdia

Primeira Guerra Sino-Japonesa de 1894-1895
As origens da guerra remontam à Primeira Guerra Sino-Japonesa de 1894-1895, na qual a China, então sob a dinastia Qing, foi derrotada pelo Japão e forçada a ceder o território de Taiwan e a reconhecer a independência da Coréia. Como resultado da guerra, enquanto o Japão emergia como potência e realizava importantes medidas de modernização do país, a dinastia imperial entrava em colapso em função de revoltas internas e pelo imperialismo exercido pelas potências estrangeiras. As turbulências políticas na nação derrotada, nos anos imediatamente posteriores à guerra, levaram em 1912 à revolução que causou a queda do imperador e a fundação da República da China. Entretanto, a república nasceu ainda mais fraca do que era o império, graças à segmentação do país em territórios sob o domínio de senhores da guerra, fazendo com que a pretendida unificação chinesa e o combate às ameaças externas parecesse algo extremamente remoto de ser conseguido. Ao invés disso, alguns senhores de terras se alinharam a potências estrangeiras, como Zhang Zuolin da Manchúria, que buscou a cooperação aberta, militar e econômica, com o Japão. Vem daí, destes primórdios republicanos da China, a posição do Japão como maior ameaça estrangeira ao país.
A partir de 1915, com novas demandas do governo japonês para incrementar seus interesses comerciais e políticos na China, diversos conflitos de pequena monta aconteceram entre os dois países, em que uma China fragmentada entre tantos poderes locais era incapaz de resistir a incursões estrangeiras em seu território. Esta situação durou até 1928, quando um exército criado pelo Kuomintang e chamado de Expedição Norte, invadiu a Manchúria na tentativa de depor Zhang Zuolin e unificar a região ao resto do país, envolvendo-se em conflitos locais com forças japonesas e do exército chinês de Zuolin, no chamado Incidente de Jinan. Com o assassinato do senhor da Manchúria no decorer do ano, após ele ter se mostrado mais resistente a uma cooperação com os japoneses devido às incursões armadas de forças chinesas em seu território, o governo do Kuomintang sob o comando de Chiang Kai-shek finalmente uniu a região ao resto do país. Esta unificação, porém, unificou o país apenas no papel. Diversos conflitos entre senhores locais e forças do governo central eclodiram, levando a China a guerras internas em diversas regiões do país, entre os senhores da guerra locais e as facções do Kuomintang na região. Além disso, os comunistas chineses iniciaram uma revolta contra o governo de Pequim, transformando a China num caldeirão interno de efervescentes conflitos. A decisão central de combater estas revoltas regionais e estabelecer uma política de primeiro resolver a situação interna para depois cuidar dos interesses e da segurança externa chinesa, deu aos japoneses a oportunidade de levar adiante sua política de agressão armada ao país.

O confronto



Xangai 1937: num das mais famosas
fotos da guerra, bebê chora abandonado
entre os destroços da estação
ferroviária da cidade, bombardeada
pelos japoneses.

Em 1931, o Incidente de Mukden propiciou a invasão da Manchúria por tropas japonesas. Os combates que se seguiram terminaram cinco meses depois com a instalação do Estado fantoche de Manchukuo na região, com o último imperador chinês, Puyi, sendo entronado à frente do governo. Sem condições de enfrentar o Japão em confronto direto, a China apelou à Liga das Nações, que condenou e expulsou os japoneses da organização. Escaramuças armadas posteriores entre os dois povos durante a década de 30, desembocaram no Incidente da Ponte Marco Polo, em 7 de julho de 1937, que a maioria dos historiadores reconhece então como sendo o início da guerra aberta ente China e Japão. Após esta batalha, o Japão invadiu o território chinês, bombardeando e ocupando Xangai, Nanquim e a região sudoeste da China com mais de 350 mil soldados contra uma força superior em número de chineses, dando início a um conflito em larga escala entre os dois países sem que houvesse uma declaração de guerra formal. Os massacres que se seguiram contra a população civil em Nanquim, após a queda da cidade em dezembro de 1937 - mais de 300 mil civis mortos, segundo historiadores chineses e ocidentais e negado pelo Japão - levariam diversos oficiais japoneses à forca por crimes de guerra ao fim da Segunda Guerra Mundial. 

A invasão japonesa provocou a união entre as diferentes forças e facções políticas da China,nacionalistas e comunistas, apesar das desconfianças mútuas, e foi forjado praticamente à bala, quando Chian Kai-chek foi seqüestrado no Incidente de Xi’an e obrigado a assinar um acordo político com os comandantes comunistas. Entretanto, as constantes divergências entre os dois grupos políticos começaram a rachar a aliança ainda em 1938, do que se aproveitaram os japoneses para se instalarem ainda mais em território chinês, conquistando mais terras no noroeste e na região costeira, além da rica região do vale do Rio Yang-Tsé, na região central do país, o que levou o governo central do Kuomintang a ter que lutar em duas frentes ao mesmo tempo, interna contra os comunistas e contra o inimigo externo japonês.


Ocupação

Soldados Chineses
Os japoneses não tinham a intenção de administrar diretamente um estado tão grande e populoso como a China. Seu objetivo real era a criação de estados fantoches dentro do país, que defendessem os interesses do Japão na Ásia continental. Porém, as atrocidades cometidas pelo exército japonês de ocupação contra as populações civis fizeram com que os governos instalados por eles se tornassem impopulares. Além disso, o Japão se recusou a negociar um fim das hostilidades tanto com o governo central quanto com os comunistas, o que apenas arrefeceu o sentimento nacionalista da população, e obrigou os chineses das áreas sob seu controle a trocarem suas economias em dinheiro e bens por bônus de guerra, que ainda hoje o governo japonês se recusa a devolver ou trocar por dinheiro chinês em espécie. Em 1940, a ocupação japonesa havia sido contida em sua expansão, graças a grandes esforços por parte do governo central chinês em lutar até o fim em cada batalha, mesmo em completa desvantagem face às divisões blindadas e tropas motorizadas japonesas, e à política de terra queimada quando se retiravam, impedindo o inimigo de se apropriar de qualquer benfeitoria dos lugares que ocupava - forçando os japoneses a esticar constantemente suas linhas de suprimento - mas mesmo assim a principais cidades e ferrovias do leste do país se encontravam sob controle nipônico. Por outro lado, o emprego de guerrilha e sabotagem fazia com que as áreas não urbanas da China ocupada estivessem todas sob ataque constante, de guerrilheiros tanto nacionalistas quanto comunistas, que, não raramente, ainda lutavam entre si.
Tropas japonesas desembarcam
em Shangai em 1938 durante a Guerra 
Além disso, na metade de 1941, os Estados Unidos – que já operavam militarmente na China com um grupo de caças de combate P-40 formado por voluntários, chamados de Flying Tigers, famosos por terem uma boca de tubarão pintada em seu bico – as Índias Orientais, possessão holandesa na Ásia, e a Grã-Bretanha cortaram o fornecimento de petróleo e aço aos japoneses, impedindo a continuidade das operações em larga escala contra a China. Estas ações e a situação geopolítica que então ficou configurada na região, acabou se tornando um fator determinante para que, a 7 de Dezembro do mesmo ano, o Japão lançasse um ataque aéreo à base naval americana de Pearl Harbor e iniciasse a invasão dos países do leste asiático e as ilhas do Pacífico Sul em busca de matéria-primas vitais para sua sobrevivência, incluindo a zona do Pacífico na Segunda Guerra Mundial.

Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_Sino-Japonesa

Imagens: Worldpress